A visita de estudo estratégico foi realizada na manhã de sábado (26) por integrantes do Curso de Especialização em Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em Alagoas (ADESG-AL). O grupo foi recebido pelo comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, Coronel Robério, que apresentou aos estagiários uma visão ampla sobre a missão do Exército, o papel da unidade em Alagoas e os desafios que hoje influenciam o planejamento de Defesa.
Visita aproxima o CEPE da realidade operacional do Exército em Alagoas
Ao longo da palestra, o comandante situou o Batalhão dentro de uma perspectiva histórica e estratégica. A exposição percorreu a formação territorial brasileira, a defesa das fronteiras, episódios da história militar do país e a participação do Exército em conflitos e missões que ajudaram a moldar a atual estrutura de Defesa.
Na parte dedicada ao 59º BIMtz, o Coronel Robério apresentou a trajetória histórica da unidade e sua presença em Maceió, destacando que o Batalhão acumula participação em diferentes momentos da história nacional e hoje mantém atribuições operacionais, de formação e de apoio à sociedade.
A mensagem central da apresentação foi a necessidade de compreender a Defesa como uma responsabilidade permanente do Estado e da sociedade. Em uma das analogias utilizadas durante a exposição, o comandante comparou a Defesa a um seguro: uma capacidade que o país espera não precisar empregar em sua forma extrema, mas que deve permanecer preparada para responder diante de uma crise.
O comandante também abordou o conceito de dissuasão, destacando que a preparação militar não se limita à hipótese de guerra. Manter forças treinadas, equipadas e reconhecidas por sua capacidade operacional contribui para reduzir riscos, sustentar a soberania e ampliar a margem de decisão do Estado em situações de tensão.
Nesse contexto, foram apresentados documentos que estruturam a política de Defesa do país, como o Livro Branco de Defesa Nacional, a Política Nacional de Defesa e a Estratégia Nacional de Defesa. O objetivo foi mostrar aos estagiários como decisões políticas, planejamento estratégico e capacidade militar se conectam dentro de uma arquitetura mais ampla de Estado.
A atividade também dialogou diretamente com a proposta do CEPE. Ao reunir profissionais de diferentes áreas em uma formação voltada à política e à estratégia, a ADESG-AL busca ampliar a compreensão sobre fatores que condicionam o poder nacional, a formulação de políticas públicas e a capacidade de resposta do país diante de cenários complexos.
59º BIMtz reúne prontidão, formação militar e apoio direto à sociedade
A palestra mostrou que a rotina do 59º BIMtz não se resume ao treinamento convencional de uma unidade de Infantaria. Entre suas estruturas, o Batalhão mantém uma companhia de força de prontidão, preparada para responder a diferentes necessidades operacionais, além de companhia de formação, Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, posto médico, banda de música, Estado-Maior e estruturas de apoio.
Como exemplo da dimensão do preparo operacional, o comandante citou um exercício recente que mobilizou aproximadamente 3 mil militares, 400 viaturas e quatro helicópteros em uma área de treinamento na região de Petrolina. Segundo a apresentação, atividades desse tipo permitem treinar mobilização, logística, deslocamento, emprego de forças e desmobilização em um cenário simulado de operações.
Outro eixo apresentado foi a formação dos militares temporários e a preocupação com sua transição para a vida civil. O Batalhão desenvolve ações de capacitação profissional, orientação para elaboração de currículos, preparação para entrevistas e aproximação com empresas. Em uma feira de empregabilidade mencionada durante a palestra, mais de uma dezena de empresas participou de atividades voltadas aos militares que se aproximavam do desligamento.
O 59º BIMtz também participa de ações com impacto direto sobre municípios alagoanos. Entre elas está a Operação Carro-Pipa, na qual a unidade atua na fiscalização da entrega de água em 32 municípios. O comandante explicou que o acompanhamento evoluiu com o uso de sistemas de controle e GPS, permitindo maior rastreabilidade das rotas e dos pontos de abastecimento.
A presença regional se estende ainda aos Tiros de Guerra. Segundo a apresentação, cinco unidades estão vinculadas à estrutura regional em Alagoas, localizadas em Arapiraca, Palmeira dos Índios, Penedo, Teotônio Vilela e São José da Laje, reunindo cerca de 280 atiradores. O comandante explicou que esses jovens recebem instrução militar e integram a reserva de segunda classe.
Na área social, o Batalhão mantém o Programa Forças no Esporte (PROFESP), atendendo cerca de 60 crianças em situação de vulnerabilidade. As atividades incluem esporte, civismo, educação, prevenção às drogas, educação para o trânsito e alimentação durante os dias de participação no quartel.
Também fazem parte dos encargos regionais atividades de fiscalização relacionadas a produtos controlados pelo Exército. O comandante citou clubes de tiro, lojas de armas, empresas que trabalham com explosivos, produtos químicos e blindagem como exemplos de setores que permanecem sujeitos a controles específicos da Força dentro das competências legais.
A palestra destacou ainda o caráter interagências de diversas missões. Exército, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias militares, corpos de bombeiros, Receita Federal e outros órgãos podem atuar de forma coordenada conforme a natureza da operação, especialmente em faixas de fronteira, situações de Garantia da Lei e da Ordem, defesa civil, segurança de autoridades ou apoio a eleições.
Drones e defesa cibernética entram no debate com os estagiários
Após a exposição, os estagiários aproveitaram o espaço para ampliar o debate sobre questões contemporâneas de Defesa. As perguntas passaram por integração entre Forças Armadas e forças auxiliares, cursos de capacitação, mobilização de reservistas, emprego de drones, novas tecnologias e os limites impostos pelo orçamento aos projetos estratégicos.Forças Armadas
Em uma das discussões, foi a transformação dos combates provocada pelos drones. Questionado sobre as lições dos conflitos recentes, o comandante afirmou que o Exército Brasileiro já acompanha essa evolução e trabalha com aplicações destinadas a reconhecimento, vigilância e outras possibilidades operacionais, além de avaliar equipamentos e requisitos para novas capacidades.
A discussão abordou ainda o emprego de enxames de drones, robótica, sistemas autônomos e inteligência artificial. Na avaliação apresentada aos estagiários, essas tecnologias ampliam as possibilidades de atuação militar, mas também geram desafios sobre custo, doutrina, autonomia dos sistemas e adaptação das Forças.
A defesa cibernética apareceu no mesmo contexto. O comandante lembrou que a área se tornou parte importante dos projetos estratégicos do Exército e exige pessoal especializado, formação contínua e atualização permanente diante da velocidade com que surgem novas ameaças e ferramentas.
Ao final, a visita mostrou aos integrantes do CEPE 2026 que a Defesa Nacional envolve muito mais do que quartéis, armamentos ou operações militares. Ela alcança planejamento de longo prazo, capacidade de mobilização, tecnologia, indústria, presença do Estado, cooperação institucional e formação de uma sociedade capaz de compreender seus próprios interesses estratégicos.
Para a ADESG-AL, a atividade no 59º BIMtz proporcionou exatamente esse contato direto entre teoria e realidade. Ao ouvir o comandante de uma organização militar instalada em Alagoas e questioná-lo sobre problemas concretos, os estagiários puderam relacionar os conteúdos do Curso de Especialização em Política e Estratégia aos desafios enfrentados diariamente por instituições responsáveis pela Defesa e pela soberania do país.
Notícia: Defesa em Foco
